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Nova News - Há TEMPO PARA SURPRESAS A 100 DIAS DA COPA? NAS CINCO OUTRAS CONQUISTAS, SIM
Esportes / Futebol

04/03/2010 - 6h16
Há tempo para surpresas a 100 dias da Copa? Nas cinco outras conquistas, sim

GLOBOESPORTE.COM mostra o panorama a 100 dias dos Mundiais de 1958, 62, 70, 94 e 2002, vencidos pela seleção brasileira

César Guimarães e Rodrigo Sirico Rio de Janeiro

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Nem sempre a seleção brasileira entrou em uma disputa de Copa do Mundo como favorita. Pelo contrário, na maioria das vezes, o time canarinho sofreu com a desconfiança dos torcedores e da imprensa nacional. Em 1958 por exemplo, não se falava de Pelé e os jogadores eram execrados por causa do fracasso de Copas anteriores. Em 1970, a imprensa destacava a influência da ditadura Militar na preparação da equipe, apesar da censura.

 

Agora, faltando 100 dias para o início da Copa da África do Sul, a equipe comandada pelo técnico Dunga parece viver sem a pressão de outras épocas. Com uma campanha tranquila nas eliminatórias, com dois títulos na conta (Copa América e Copa das Confederações) e com o grupo praticamente definido, resta saber se o treinador levará Ronaldinho para o Mundial.

 

Editoria de Arte/GLOBOESPORTE.COM

Os capitães Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu erguem as taças do penta do Brasil

Abaixo, você pode ver um panorama de como as seleções campeãs em 1958, 62, 70, 94 e 2002 viviam a 100 dias daqueles Mundiais. Quem eram as suas figuras principais, que jogadores eram badalados, e quem sequer era lembrado e que depois virou peça importante. Tudo isso com base no que a imprensa brasileira noticiava na época. Vale a pena conferir.

 

Em 1958, a seleção carregava o peso da derrota na Copa do Mundo de 1950, quando deixou 200 mil torcedores atônitos no Maracanã ao cair diante do Uruguai (derrota por 2 a 1). A imprensa brasileira tratava a seleção com um certo desdém, utilizando sem cerimônia o "complexo de vira-lata" descrito pelo cronista Nelson Rodrigues. O jornal "Última Hora" estampou em sua primeira página: "No Brasil, a derrota vem antes da partida".

 

Arquivo/Getty Image

Nada de Pelé: às vésperas da Copa de 1958, Didi era o 'cara' da seleção brasileira

No período de preparação para o Mundial da Suécia, os atletas brasileiros foram muito cobrados por um desempenho que deixasse o povo orgulhoso. A pressão era tão grande que o técnico da seleção, Vicente Feola, deu uma entrevista afirmando que "os covardes não serão convocados". Mas um jogador em especial parecia imune aos ataques: o meia Didi. Experiente, o então atleta do Botafogo chamou a responsabilidade para si. Didi, inclusive, requisitou a posição de cobrador oficial de pênaltis do time. 

 

'No Brasil, a derrota acontece antes das partidas'

'A seleção brasileira vai fazer mais uma excursão ao exterior' 'Os covardes não serão convocados. Só vai quem aguentar a pressão'
Jornal Última Hora, 2 de março de 1958 Jornal do Brasil,  5 de março de 1958 Vicente Feola, técnico da seleção brasileira em 1958

 

 

O que poucos notaram é que, dentro do grupo, estava um jovem que viria a ser decisivo na campanha do título: Pelé. Com apenas 17 anos, o garoto não era considerado, pela imprensa, uma peça importante. Tanto que não ocupava muito espaço nas páginas dos jornais brasileiros. Os mais citados pelos jornalistas, além do próprio Didi, eram Garrincha e Nilton Santos. Esses jogadores foram essenciais para transformar a pressão em motivação.

 

 

Pressionados pela imprensa nacional, os jogadores brasileiros aguentaram o rojão. Entre eles, surgiu Pelé. Então com 17 anos, o futuro Rei do Futebol foi decisivo na campanha, fazendo belos gols com a camisa da seleção brasileira. Garrincha, Nilton Santos e Didi também se destacaram na campanha.

 

 

Ao contrário de 1958, os jogadores contaram com toda a paciência possível da imprensa brasileira, na preparação para a Copa de 1962, no Chile. Enfim campeão mundial, o Brasil pôde ir para uma Copa do Mundo sem os questionamentos de épocas passadas. E, desta vez, Pelé já era uma realidade e Garrincha desfrutavada sua melhor forma física. O clima era tão ameno que até mesmo o capitão do time de 58, o zagueiro Bellini, afirmara que até na reserva ele gostaria de ir para a competição.

 

Arquivo/Getty Image

A seleção de 1962 posada: Pelé, machucado no segundo jogo, não aparece. Garrincha, agachado ao lado do massagista, assumiu a responsabilidade e foi o grande nome daquele Mundial

Se quatro anos antes a seleção era motivo de piadas e de mau agouro, em 1962 todos queriam capitalizar com a imagem do Brasil campeão do mundo. Nos 100 dias que anteceram à Copa, muitos políticos tentaram criar um vínculo com a seleção canarinho. Um dia antes de embarcar para o Chile, o governador do então estado da Guanabara, Carlos Lacerda, e o presidente da República, João Goulart, compareceram ao treino nas Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

 

'Esperança pelo bi na glória dos campeões mundiais'

'Pelé e Garrincha vão poder mostrar a sua força no Chile' 'O Brasil não teme a ninguém. Os campeões serão aclamados'
Jornal do Brasil, 2 de março de 1962 Jornal Última Hora, 4 de março de 1962 Jornal O Globo, 3 de março de 1962

 

 

E a cobertura da imprensa seguia a mesma linha, exaltando os campeões mundiais e cobrando de maneira sóbria o bicampeonato. O "Jornal do Brasil" destacou: "Esperança pelo bi na glória dos campeões". Esse tom foi mantido por bastante tempo, pois a seleção não precisou disputar as eliminatórias, por ser o detentor do título. 

 

 

A grande expectativa da imprensa e da torcida brasileira era depositada na dupla Garrincha e Pelé. Porém, a parceria foi desfeita já no segundo jogo. Pelé sofreu uma lesão muscular e saiu da disputa do Mundial. Garrincha assumiu a responsabilidade e levou o Brasil ao bicampeonato mundial.

 

 

Apesar de já ser bicampeã mundial, a seleção brasileira não contou com o apelo nacional para a Copa de 1970, disputada no México. O fiasco da Copa anterior, na Inglaterra, quando o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase, gerou muitas desconfianças. Além disso, o país vivia sob os anos de chumbo da ditadura. Talvez, essa tenha sido a delegação que mais sofreu influências políticas. A proximidade era tão grande que motivou até a troca de treinador. Zagallo assumiu o posto no lugar de João Saldanha, qua bateu de frente com os militares.

 

Arquivo/Getty Image

A seleção brasileira posa junto ao presidente Emílio Médici, em 1970. Era o auge da ditadura militar, que usou o sucesso da equipe em benefício político

A imprensa brasileira não esqueceu os desmandos de quatro anos antes, quando mais de sessenta jogadores foram testados e a seleção partiu para a Inglaterra sem um time definido. O jornal "Última Hora" destacou que o grupo de 70 ainda não havia feito uma apresentação convincente: "Apesar de um elenco de estrelas, o conjunto brasileiro ainda não apareceu".

 

 

'Apesar de um elenco de estrelas, o conjunto ainda não apareceu' ' A bagunça de 1966 não deve se repetir agora' 'Pelé e Tostão podem reeditar as grandes duplas do futebol'
Jornal Última Hora, 5 de março de 1970 Jornal do Brasil, 7 de março de 1970 Jornal Estado de São Paulo, 4 de março de 1970

 

 

A presença constante dos militares, com interferência política no ambiente da seleção e a censura aos meios de comunicação, deram o tom da cobertura jornalística na preparação para a Copa do México. Para exprimir a compreensão do contexto da época, o jornal "Última Hora" estampou em sua primeira página: "Generais observam seleção de perto e cobram resultado no México".

 

 

Depois de toda a desconfiança sobre o desempenho da seleção na Copa do México, os jogadores brasileiros brindaram o povo com apresentações memoráveis durante a competição. Assista aos gols do Brasil no passeio sobre a Itália (vitória por 4 a 1) na grande final daquela Copa.

 

 

A pressão sobre os jogadores brasileiros em 1994 se assemelhava àquela de 1958. Com 24 anos de jejum e desempenhos fracassados, principalmente nas Copas de 1982 e 1986, que alimentaram as expectativas da imprensa e da torcida, os preparativos para a Copa dos Estados Unidos foram tensos. Os principais jornais destacavam a pífia campanha nas eliminatórias, afirmando que o Brasil só iria ao Mundial por causa de Romário.

 

Arquivo/Agência

Romário correspondeu e trouxe o tetra para casa. Na chegada, festa na janela do avião

E o que marcou a cobertura esportiva no período de preparação, foi a critica constante ao trabalho de Carlos Alberto Parreira à frente da seleção. Muitos o consideravam um treinador retranqueiro e que não ouvia seus comandados. O "Estado de São Paulo" destacou dessa forma o trabalho do comandante: "Parreira se apega aos gols de Romário para vencer a Copa".

 

 

'Parreira se apega aos gols de Romário para vencer a Copa'

'Seleção não demonstra futebol para ser campeão' 'Após risco de não disputar Copa, seleção ainda carece de qualidade'
Estado de São Paulo, 6 de março de 1994 Jornal do Brasil, 10 de março de 1994 Jornal O Globo, 7 de março de 1994

 

 

Convicto de que seu trabalho estava indo na direção correta, Carlos Alberto Parreira bateu de frente com os críticos. Amparado principalmente por Zagallo, seu auxiliar técnico, o treinador enfrentou os jornalistas que pediam sua cabeça antes do Mundial. Em declarações ao jornal "O Globo" Parreira deixou bem claro o seu posicionamento: "Não acho certo criticarem o meu trabalho sem olhar os números. Gostaria que a análise do meu trabalho fosse mais criteriosa".

 

 

Durante toda a Copa do Mundo dos Estados Unidos, Romário provou que não poderia mesmo ficar fora do grupo de jogadores convocados. Com um poder de fogo decisivo, o atacante fez gols importantes na competição, como este, de cabeça, contra a Suécia, na semifinal, que colocou o Brasil na decisão do Mundial.

 

Em 2002, a grande preocupação da imprensa brasileira residia na condição física de Ronaldo. E a divisão entre os que acreditavam na recuperação do jogador e aqueles que duvidaram que Ronaldo pudesse ser útil na Copa gerou debates acalorados entre os jornalistas. Mas Ronaldo não era a única aposta do técnico Luiz Felipe Scolari. A imprensa também questionava a confiança de Felipão no meia-atacante Rivaldo, que também se recuperava de lesão.

 

Agência/AFP

Ronaldo cumprimenta Felipão. Confiança do técnico no atacante foi recompensada com o penta

As dúvidas sobre o aproveitamento dos dois era frequente. O foco principal era o joelho operado de Ronaldo. Segundo as manchetes dos jornais "O Globo" e "Estado de São Paulo", era possível conhecer as preocupações dos brasileiros sobre a equipe nacional. "Seleção se abre para Ronaldo mesmo sem garantia de vitórias" dizia "O Globo". "Confiança de Felipão em Ronaldo não tem limite", estampava o "Estadão".

 

 

 

Um outro fato também era destaque na impresa. Assim como em 1994, a imprensa destacou o clamor pela convocação de Romário, então com 36 anos. Porém, Felipão deixou muito claro a todos que o Baixinho não fazia parte da "Família Scolari". O jornal "O Globo" exprimiu a situação da seguinte forma: "Para Felipão, seleção não vai sentir falta de Romário". Já o "Estado de São Paulo" destacava o posicionamento do treinador: "Felipão fecha família Scolari sem Romário".

 

 

Com o grupo fechado em busca do título, o técnico Luiz Felipe Scolari conseguiu formar a "Família Scolari" e vencer a Copa do Mundo de maneira eficiente. Ronaldo e Rivaldo, muito questionados pela imprensa na fase de preparação para o Mundial, foram os destaques da competição.

 

'Seleção se abre para Ronaldo mesmo sem garantia de vitórias' 'Confiança de Felipão em Ronaldo não tem limite' 'Para Felipão, seleção não sentirá falta de Romário'
Jornal O Globo, 29 de março de 2002 Estado de São Paulo, 30 de março de 2002 Jornal O Globo, 28 de março de 2002

 



Fonte: GLOBOESPORTE.COM

Postado por:Toninho Carlos
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