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Nova News - PRAZO TERMINA E íNDIOS NãO SAEM DE áREA EM RIO BRILHANTE
Rural / Geral

31/08/2009 - 7h01
Prazo termina e índios não saem de área em Rio Brilhante

As 35 famílias indígenas continuam nos 420 hectares de uma propriedade rural de Rio Brilhante, apesar do prazo para deixarem a área ter terminado na última quarta-feira. “"Se sairmos daqui, não sei para onde ir. Não temos para onde ir", afirmou o cacique Faride, um dos líderes do acampamento Guarani-Kaiowá, em Rio Brilhante.

A desembargadora do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Marli Ferreira, determinou à Funai para remover os índios em três meses. O prazo acabou no dia 26 de agosto, mas os indígenas continuam na fazenda.

Segundo o Cimi (Conselho Indiginista Missionário), 130 pessoas, sendo 60 crianças e adolescentes, estão no acampamento. Na entrada da fazenda, uma grande corrente e um cadeado fecham a porteira que abre a passagem para o acampamento, que fica há 3,5 km da estrada, cercado por plantações de milho e canaviais existentes nesta região por todos os lados.

A comunidade indígena Guarani-Kaiowá de Laranjeira Ñande Ru retornou à sua terra de origem no final do ano de 2007 e reivindicam 3.666 hectares como sendo terra tradicional de seus antepassados. Vieram da aldeia Panambi, que tem 1.240 hectares onde vivem cerca de 350 famílias, na região de Douradina, que se tornou mais um confinamento pelo crescente aumento da população.

Vivendo em condições miseráveis, eles sobrevivem das cestas da Funai, que a cada 15 dias chegam no acampamento. Não podem plantar nada no local, vigiado constantemente por seguranças armados contratados pelo fazendeiro que mantinham os indígenas em constante ameaça e tensão.

Mortes - Segundo a índia Ilda Barbosa de Almeida, duas crianças já morreram no local por que o socorro esperado da Funasa, não pôde entrar na propriedade. Um menino de oito anos teve uma complicação pulmonar e precisava ser levado ao hospital, mas os seguranças armados não deram permissão para que o carro pudesse entrar. O mesmo aconteceu com um bebê de um ano e sete meses, que teve que ser removido pelos indígenas até a beira da rodovia pelo meio do mato em estado grave de desidratação.

Também são computados um atropelamento e três suicídios. Dois deles aconteceram antes de dois pedidos de reintegração de posse do fazendeiro. “O medo, a constante tensão e a falta de perspectiva de ainda ter condições piores de vida, levam muitos deles a preferir a morte. O índice de suicídios entre os Guarani-Kaiowá estão entre os piores do mundo”, alertou o Cimi.

Enquanto isso, a comunidade indígena Guarani-Kaiowá de Laranjeira Ñande Ru, segue vivendo com muita tensão e medo, na iminência de serem despejados para beira de estradas.
 



Fonte: Campograndenews

Postado por:Reinaldo Santos
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