Ao menos 800 pessoas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) chegaram hoje em Campo Grande e preparam para amanhã manifestos na cidade pela reforma agrária.
Elas vieram a pé de Nova Alvorada, cidade distante 100 km daqui e de um acampamento em Terenos, distante 70 quilômetros da Capital. A marcha começou no sábado. Esta é a sexta vez que a entidade promove aqui em MS o ato que exige a caminhada de seus membros.
Os protestantes se instalaram aos arredores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e num trecho perto do aeroporto internacional. Na UFMS, estão concentrados ao menos 400 membros do MST, 15 dos quais crianças. Elas vieram de Nova Alvorada.
Eles caminhavam das 8 horas da manhã até às 22 horas, segundo Zuleide Moraes, uma das manifestantes. Reclamando do inchaço dos pés, mas animada com a ação, ela aponta a razão pelo esforço: “isto aqui é parte de nosso esforço”. Zuleide mora há pelo menos dois anos num acampamento perto do distrito de Anhandui. Ela trouxe consigo apenas algumas mudas de roupa. “Quero apenas realizar o sonho de conquistar um pedaço de terra”, disse.
Maria Nunes, 37, veio com a filha Taiana, de 11 anos. Um ônibus acompanhava a marcha e servia de abrigo às crianças.
O comando do MST informou que amanhã pela manhã, os dois grupos se juntam no Horto Florestal. Dali, ele seguem para o prédio da superintendência do Incra, onde se reúnem com os diretores do órgão.
A entidade distribuiu panfletos na estrada. Num trecho do comunicado, o MST diz que “a reforma agrária é uma forma de combater a concentração da propriedade da terra nas mãos de poucos. Defendemos a distribuição da terra que é um bem de todos, para quem nela trabalha, possibilitando a produção de alimentos e a redução da pobreza”.
O MST, ainda no panfleto, critica o agronegócio que, para o movimento “não tem nenhum interesse em dar emprego e moradia para os trabalhadores rurais. Ao contrário, trata de usar máquinas e contratar o menos possível, apenas nos períodos de safra”.
A entidade listou 12 reivindicações, entre as quais pedem uma saída para o endividamento das famílias assentadas, criação de programas ambientais e mais distribuição de terra e também agilidade nas demarcações dos territórios indígenas e quilombolas. Veja o que os sem-terra pedem durante a marcha:
1. Revisão dos índices de produtividade da terra em nível nacional;
2. Disponibilização de terra para assentamento de todas as famílias acampadas no Estado, e no Brasil (90 mil só do MST);
3. Aumento e Reposição do Orçamento da Reforma Agrária, que sofreu corte de 30%;
4. Liberação de linhas de crédito para a implantação de agroindústrias nos assentamentos;
5. Ampliação do programa para assistência técnica nos assentamentos;
6. Resolver o problema do endividamento das famílias assentadas;
7. Criação de programas ambientais nos assentamentos;
8. Ampliação do quadro de funcionários e melhores condições de trabalho e infra-estrutura para INCRA-MS;
9. Que o governo do Estado crie política agrícola voltada a agricultura camponesa com foco na produção de alimentos;
10. Infra-estrutura para os assentamentos: estrada, energia, água, casa e escola;
| Alessandra Carvalho |
![]() |
| Dona Zuleide Moraes mostrando o pé inchado depois da caminhada de 100 KM |
11. Demarcação das terras Indígenas;
12. Demarcação das terras Quilombolas