Produtores rurais da região de Dourados e da fronteira com o Paraguai estão se preparando, “dentro da legalidade” – como eles próprios definem – para reagir contra eventuais ocupações por índios e também para repelir a presença dos grupos técnicos da Funai (Fundação Nacional do Índio) em propriedades próximas a áreas indígenas.
“Estamos orientando nossos filiados a contratarem seguranças credenciados para uma reação, se necessária, mas dentro da legalidade”, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Ponta Porã, Roney Fuchs.
Já o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, disse que os produtores rurais do município não vão permitir a entrada dos grupos técnicos da Funai em suas terras. “Em propriedade particular, não vamos deixar entrar sem mandado judicial”, afirmou.
Zeuli disse que os produtores rurais também não vão aceitar ocupações de terra, situação comum em Mato Grosso do Sul quando a área passa a ser alvo de processo de demarcação. “Se invadir nós vamos tirar. Temos condições de reunir até 200 produtores e tirar. Nós temos esse direito”, declarou o líder ruralista.
Dourados tem três aldeias indígenas – Jaguapiru e Bororó, onde moram pelo menos 12 mil guaranis-caiuás e terenas em 3.600 hectares, e Panambizinho, onde vivem pelo menos 400 caiuás em 1.240 hectares.
Marisvaldo Zeuli disse que o Panambizinho é a prova de que o problema dos índios não é falta de terra. “Os 1.240 hectares entregues aos índios no Panambi estão tomados pelo mato e eles vivem na mesma miséria”, afirmou.