Usado e com muito orgulho – a analista de planejamento Cláudia Calhelha instalou vários acessórios no carro ano 2004. Agora, que quer vendê-lo, ela não se conforma com o valor que as lojas oferecem.
“Na tabela, ele está em torno de R$ 22 mil. Eu queria trocar e fui a concessionárias. O máximo que me deram foi R$ 17 mil”, contou Cláudia.
O carro usado desvalorizou, em média, 11,5% de janeiro a junho deste ano. A queda se acentuou com a redução do IPI para zero quilômetro. Ao contrário do que ocorreu com os carros novos, o mercado de usados continua sentindo os efeitos da crise.
Apesar dos preços mais baixos, as vendas de usados não cresceram. Pelo contrário: encolheram 19% este ano só no estado de São Paulo. Se tantos brasileiros ainda sonham em ter um carro, por que as lojas não conseguem desovar os estoques?
Os revendedores de usados reclamam que o pacote de incentivos do governo priorizou o financiamento de carros novos. Os R$ 400 milhões destinados ao comércio de usados não foram suficientes, segundo o representante do setor.
“O crédito é fundamental para que o mercado volte a ter seu equilíbrio, e hoje ele está desequilibrado. Poderia estar vendendo mais se a política fosse extensiva a todo setor, e não só o segmento de zero quilômetro”, afirma George Chahade, representante da Associação de Revendedores de Veículos Automotores de São Paulo.
No ano passado, 74% dos carros usados vendidos foram financiados. Este ano, o percentual caiu para 63%. O gerente da loja Carlos Alberto Barone diz que além de pedir uma entrada, os bancos ficaram mais exigentes.
“Vai à casa do cliente, vai à fonte de referência e vai ao trabalho confirmar in loco para que tenha segurança nas aprovações”, diz o gerente.
Quem consegue pagar à vista pode fazer um bom negócio. Vanilson economizou R$ 1,4 mil na van que pretende usar para vender sanduíche. “A ideia agora é fazer dinheiro vender uns lanches e fazer dinheiro”, contou.